Vista interrompe julgamento do STF sobre lei que obriga bíblia em bibliotecas
Um pedido de vista do ministro Flávio Dino interrompeu o julgamento do Supremo Tribunal Federal sobre a constitucionalidade de uma lei do Rio Grande do Norte que obriga a inclusão da bíblia no acervo de bibliotecas públicas estaduais.
O julgamento estava sendo promovido em sessão do Plenário Virtual com encerramento previsto para as 23h59 da próxima sexta-feira (4/4).
Fernando Frazão/Agência Brasil
Obrigação de disponibilizar livro sagrado específico — a bíblia cristã — fere laicidade do estado
A Lei estadual 8.415/2003 determina a disponibilização de, no mínimo, dez exemplares da Bíblia Sagrada em cada biblioteca, sendo quatro cópias em braile.
A ação direta de inconstitucionalidade faz parte de um pacote de cinco delas ajuizada pelo então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, com a alegação de desrespeito ao princípio da laicidade do Estado.
As outras quatro já foram julgadas pelo STF. A corte considerou inconstitucionais leis dos estados de Mato Grosso (ADI 5.256), Amazonas (ADI 5.258) e Rondônia (ADI 5.257). No caso do Rio de Janeiro (ADI 5.248), o pedido foi julgado prejudicado.
Relator da ADI do RN, o ministro Nunes Marques propôs a mesma solução: reconhecer a inconstitucionalidade da lei estadual que obriga a inclusão da bíblia em bibliotecas do estado.
Obrigação da bíblia
Para ele, o acesso facilitado a determinado livro religioso em bibliotecas públicas e sua compra com recursos públicos caracterizam incentivo estatal injustificável a valores religiosos específicos.
Esse cenário fere o princípio da laicidade estabelecido na Constituição de 1988. Não há problema em disponibilizar a bíblia ou sua divulgação em espaços públicos, segundo o ministro. A questão é a obrigação normativa de manutenção no acervo público.
“Aos entes políticos da federação não cabe conceder, mediante atos legislativos, administrativos ou judiciais, tratamento privilegiado a determinada confissão religiosa”, destacou o relator.
O ministro ainda defendeu que cabe ao poder público reconhecer todos os livros sagrados não só como obras de culto, mas também enquanto objetos culturais.
“Mantê-los todos ao dispor dos usuários dos serviços da administração pública é prestação que concretiza as liberdades de expressão, consciência, crença e religião e se coaduna com o espírito plural da sociedade brasileira sobre o qual fundada a ordem democrática de 1988.”
Una solicitud del ministro Flávio Dino interrumpió la sentencia de la Suprema Corte Federal sobre la constitucionalidad de una ley de Río Grande do Norte que requiere la inclusión de la Biblia en la colección de bibliotecas públicas estatales.
El juicio se estaba promoviendo en una sesión del Plenario Virtual con cierre prevista para las 11:59 p.m. del próximo viernes (4/4).
La Ley estatal 8.415/2003 determina la disponibilidad de al menos diez copias de la Sagrada Biblia en cada biblioteca, cuatro copias en Braille.
La acción directa de inconstitucionalidad forma parte de un paquete de cinco de ellos presentado por el entonces procurador general de la República, Rodrigo Janot, con la alegación de falta de respeto al principio de la laicidad del Estado.
Los otros cuatro ya han sido juzgados por el STF. El tribunal consideró inconstitucionales las leyes de los estados de Mato Grosso (ADI 5.256), Amazonas (ADI 5.258) y Rondonia (ADI 5.257). En el caso de Río de Janeiro (ADI 5.248), la solicitud fue juzgada.
El Relator de la ADI de la RN, el Ministro Nunes Marques propuso la misma solución: reconocer la inconstitucionalidad de la ley estatal que obliga a incluir la Biblia en las bibliotecas estatales.
Obligación de la Biblia
Para él, el acceso facilitado a un determinado libro religioso en las bibliotecas públicas y su compra con recursos públicos caracterizan un incentivo estatal injustificable a valores religiosos específicos.
Este escenario socava el principio de laicismo establecido en la Constitución de 1988. Está bien poner a disposición la Biblia o su difusión en espacios públicos, según el ministro. La cuestión es la obligación reglamentaria de mantener en la recaudación pública.
Las entidades políticas de la federación no deben ser concedidas, mediante actos legislativos, administrativos o judiciales, un trato privilegiado de una confesión religiosa particular, dijo el ponente.
El ministro también defendió que corresponde al público reconocer todos los libros sagrados no sólo como obras de culto, sino también como objetos culturales.
El cuidado de todos ellos a disposición de los usuarios de los servicios de la administración pública es una disposición que concreta las libertades de expresión, conciencia, creencias y religión y está en consonancia con el espíritu plural de la sociedad brasileña en la que se basa el orden democrático de 1988.